a primavera e os lenços de papel..


Março 2026

hoje a minha sobrinha faz trinta anos! VIVA! VIVA! VIVA! quando ela nasceu, o Sol voltou aos nossos dias.

canso-me mais agora do que quando trabalhava. Lisboa tinha alma e o ar era corpóreo, abraçava-nos. estava viva. e eu caminhava da Mouraria até ao Cais do Sodré. entre as cinco casas que tive foi aquela em que vivi mais anos. 

andava a pé por todo o lado. quando mudei para a Lumiar,  na Avenida das Linhas de Torres, caminhava até à Baixa-Chiado. nasci em Alvalade e adorava a cidade em todos os seus encantamentos. tive um desgosto quando voltei em 2019.

numa viagem de metropolitano o rapaz que estava sentado à minha frente estava constantemente a puxar o ranho para dentro. pensei que não teria lenços e estendi-lhe o meu pacote, guardou-o no bolso e continuou a puxar o ranho.

nesta vida, nunca tive um namorado digno de ter um bebé comigo. nenhum me fez feliz. nunca quis casar. gostava de ter tido netos. a minha ambição era ser avó. não está fora de questão, há sempre a família de afectos.

vem aí o Sol! :) e o equinócio! e a mudança da hora! março é renascer.

e eu fiquei sem o pacote de lenços!

Comentários

  1. Que bela história. Já tinha saudades destas tuas descrições do teu dia a dia. Beijinhos

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    1. obrigada pelo carinho :) são mantas de retalho e é a minha resolução para 2026 que pretendo publicar no dia 30 de cada mês. dias felizes linda <3

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  2. Muito bonito, Ana.
    Fui para Lisboa em Maio de 1958, pouco antes do General Humberto Delgado ter dito: "obviamente demito-o", referia-se ao Salazar.
    Era uma cidade cheia de criadas de servir e marçanos, tão diferente de hoje.
    Beijinhos.

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